sábado, 9 de junho de 2012

Deus NÃO é um meio para alcançarmos os nossos desejos


Deus NÃO é um meio para alcançarmos os nossos desejos
 


Já faz algumas semanas que ouvi um anúncio de uma campanha de libertação em uma igreja, percebi então que era anunciado para aquelas pessoas que estavam sofrendo por conta da inveja dos outros, ou que estavam sendo vítimas de obras de macumba, ou que estavam com insônia ou precisando de prosperidade financeira a ir para a igreja naquele dia receber do Senhor [a libertação de] todos esses males.

Desta vez não quero em essência criticar o anúncio, pois não rejeito a afirmação de que essas obras citadas são do diabo, mas usei o fato para me focar em outro que, pela sua sutileza, passa, muitas vezes, despercebido e, pelo seu aparente benefício, é aceito por todos sem qualquer crítica: Deus não como o fim, mas como um meio.

Pode parecer inútil um texto neste teor, mas é monstruoso como essa forma de ver Deus está sendo amplamente divulgada em nosso meio. Não conheço outros países para poder dizer com propriedade se é uma situação generalizada ou, para a nossa menor tristeza, presente somente aqui, no Estado do Espírito Santo. Sinto-me infeliz ao perceber que, para muitos, Deus é apenas um meio para satisfazer algum anseio, seja este o de ter uma vida financeira estável, um bom casamento, uma proteção contra inveja, ou mesmo contra ataques perniciosos de macumbeiros, ou qualquer outra coisa que a maioria das pessoas consideraria como razoavelmente boa ou mesmo necessária.

Trágico, mas estão fazendo desta variável chamada “coisa boa” um fim, ou seja, um objetivo a ser alcançado e de Deus apenas um meio para se alcançar esse objetivo. Ora, pensar dessa forma é o mesmo que transformar Deus em um mero instrumento para se executar um fim: A nossa própria felicidade. Não nos é difícil encontrar essa sutil forma de pregação em nosso meio, que muitas vezes é manifesta por dizeres do tipo: Se você quer obter tal benção então louve a Deus! Ó, quanta intolerância de minha parte ao dizer que há nisso um extremo perigo! Mas não me taxe como intolerante sem antes permitir que eu exponha a minha análise: A pessoa que louvar a Deus sob estes dizeres estará louvando-O apenas por que quer obter tal benção e não por que Deus é, simplesmente, digno de todo o louvor.

Mas alguém se levantaria e diria: Isso não importa! O importante é louvar. Então há algumas implicações: Ou o ministro faz isso conscientemente com o intuito de transferir benção em troca de alguma coisa usando o nome de Deus ou ele simplesmente quer climatizar o ambiente, ou seja, animar o auditório. De forma mais nítida, se é que não fui bem claro, digo que, ou o ministro, em nosso exemplo, estava implicitamente, porém conscientemente, mediando uma operação comercial entre Deus e um homem, oferecendo bênçãos em troca de louvores a Deus ou estava simplesmente querendo ouvir todos cantarem para o som ficar mais bonito ou, na melhor das hipóteses, estava apenas sendo infeliz na forma de expressar seus pensamentos, ou seja, usou as palavras erradas no momento errado.

O fato é que, agindo assim, como em nosso exemplo, o ministro está fazendo não com que os adoradores adorem a Deus por ele ser o que ele é, mas com que os adoradores se tornem verdadeiros bajuladores. Mas então, concluindo este exemplo, voltemos à linha de raciocínio.

Não é forçoso ver nos escritos do Novo Testamento que os apóstolos criam e ensinavam que Jesus não era apenas um meio ou em melhores palavras, que Jesus não era apenas uma forma de se alcançar algo melhor, da mesma forma que, por exemplo, a vida eterna não é melhor que Deus. Jesus é a própria vida (1João 1:2, ACF). Uma defesa dessa afirmação está no fato de que Deus, sendo portador da imortalidade, sendo ele próprio capaz de conceder semelhante imortalidade para as suas criaturas, mostra-se dominador da imortalidade e não somente portador, ou seja, sendo Deus superior à própria vida eterna, o foco do crente não é tão somente alcançar a imortalidade de paz e gozo através de Jesus, mas sim de prestar com plenitude a adoração que a Deus é devida.

Os profetas antigos viam nas promessas de Deus (que apontavam direta ou indiretamente para o Cristo) a possibilidade de servirem a Deus com pureza total, da maneira que agradaria plenamente a Ele. Os crentes atuais veem de forma vívida (pelo Espírito Santo) a maneira de poder agradar a Deus da maneira que Ele exige. Assim, olhando para o sacrifício e ressurreição de Cristo, temos, pela fé, a certeza de estarmos limpos do pecado e avivados para dedicar a vida em serviço a Deus a fim de agradá-lo e não simplesmente como uma forma de escaparmos do fogo do inferno.

Mas tenho certeza que fiz uma grande fuga do tema central deste artigo. Afinal, Deus é um meio para alcançarmos o bem ou ele próprio é o bem maior? Digo que, se quisermos usar Deus para alcançar alguma “coisa boa” então estamos agindo de forma que essa “coisa” pareça ser maior ou mais importante que o próprio Deus, o que é um absurdo! Mas é claro, se fixarmos nossa fé em Deus, uma fé pura, iremos certamente alcançar os benefícios anexos a ela.

Muito me alegro no que Deus disse a Abrão: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão (Gênesis 15:1, ACF, grifo meu), ora, nós bem sabemos que galardão é prêmio, glória, e sendo assim, Deus era a glória de Abrão, ou seja, o bem maior de Abrão era ter Deus presente em sua vida. Depois de se declarar a Abrão como sendo o seu sublime bem, Deus lhe promete um filho. De forma semelhante, Habacuque demonstra que o seu amor a Deus independe das circunstâncias, dizendo: Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação (Habacuque  3:17-18, ACF). Para o profeta, Deus não era um meio de se conseguir bens, Deus era o objetivo de sua fé e os bens, ou as vantagens, eram secundárias.

Não é pelo que Deus pode nos dar que nós o amamos. Nós, os que cremos, já somos portadores do maior bem: a revelação do Evangelho (Colossenses 1:26). No qual está contido o tesouro que nenhum pensador (me refiro especialmente aos antigos pensadores gregos que são bastante idolatrados) conseguiu desvendar: Cristo (Colossenses 2:3). Ele é a total revelação de Deus aos homens (Hebreus 1:1), o Princípio e o Fim (Apocalipse 1:8). A plenitude de todo o conhecimento e de toda a ciência, oculta aos olhos de todos os homens, porém revelada aos eleitos pela multiforme sabedoria do Deus vivo, único sábio e detentor de todo o conhecimento, merecedor de louvores e adoração, Senhor dos senhores e Rei dos reis, imortal e invisível, porém real. Poderia neste tema incluir outros pormenores como, por exemplo, o dízimo cristão, que é uma dádiva a Deus, ofertado em reconhecimento a sua Soberania, e não simplesmente um afastador de “devoradores”.

Mas concluindo...
Deus é o fim e não um meio.
Se estivermos fazendo isso, ferindo a dignidade do Deus vivo, então é momento de nos prostrarmos e pedirmos a Ele um coração capaz de serví-Lo com pureza.


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1 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom o seu texto, obrigado!

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